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Cientistas conseguem realizar o teletransporte de uma partícula

Um grupo de pesquisadores das Universidades de Maryland e Michigan, nos Estados Unidos, deu mais um importante passo no emergente campo do teletransporte. Eles conseguiram teletransportar um gordão. Um átomo gordão, melhor dizendo.

No caso específico, reportado na edição do periódico científico “Science”, o grupo liderado por Steven Olmschenk usou átomos de itérbio (um elemento pouco conhecido da tabela periódica, com nada menos que 70 prótons em seu núcleo).

Eles conseguiram transferir as características de um dos átomos para outro semelhante a uma distância de um metro. O que, na prática, equivale a teletransportá-lo. Mas só na prática.

Teletransportes quânticos, como são chamados, têm sido feitos desde 1997. O novo avanço consiste na capacidade de fazer a coisa acontecer com átomos inteiros compostos por múltiplas partículas, em vez de partículas mais simples como os fótons (componentes da luz), os candidatos mais prováveis a esse tipo de experimento, ou mesmo prótons.

O sucesso só é possível porque, na misteriosa mecânica quântica, que rege o comportamento de objetos muito pequenos, as partículas não possuem características definidas até que elas sejam observadas. Mas, apesar disso, é possível juntar duas partículas diferentes de modo que elas fiquem intrisecamente relacionadas, mesmo que separadas pelo espaço.

NASA – Quantum Internet – Teletransporte

Sonhos de ficção

Claro que experimentos como esse evocam, imediatamente, imagens da série de TV “Jornada nas estrelas” (“Star trek”), em que os tripulantes da nave Enterprise desciam aos planetas usando um aparelho de teletransporte, que desmaterializava a pessoa e rematerializava-a no local desejado. (O aparelho é hoje particularmente cobiçado pelas pessoas que enfrentam o trânsito das grandes cidades para ir ao trabalho.)

“O teleporte quântico ocorre quando dois estados entrelaçados de duas partículas estão altamente correlacionados, de modo que é possível usar a interação com uma partícula para afetar a outra”, explica o físico Lawrence Krauss, da Universidade Estadual do Arizona. “Mas essa correlação quântica é muito frágil. É por isso que pessoas e outros objetos macroscópicos agem de forma clássica, e não como na mecânica quântica.”

Na verdade, o grande objetivo dos pesquisadores é usar o teletransporte quântico — que, na verdade, se resume a transportar informações de uma partícula a outra — em novas tecnologias de computação.

O sonho do computador quântico, que usaria as propriedades malucas das partículas para processar dados, é um que os cientistas de fato têm esperança de converter em realidade num futuro próximo. Essas máquinas permitiriam a realização de alguns cálculos hoje impossíveis e também aumentariam dramaticamente a segurança na transmissão de dados.

O teletransporte possível

Na física quântica, o que são transportadas não são as partículas em si, mas informações sobre elas. Ou seja, quando eu quero teletransportar algo de um ponto A para o B, o que aparece no B é uma cópia, enquanto o original é destruído.

Esse teletransporte quântico só é possível por causa de um fenômeno que os cientistas chamam de entrelaçamento, um sistema de comunicação instantânea entre as partículas onde essas informações quânticas são compartilhadas.

A partir desse fenômeno, o inglês Samuel Braunstein, da Universidade de York conseguiu, no fim da década de 1990, teletransportar um feixe de raio laser em laboratório. Outro experimento, realizado por uma equipe de pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia da China, conseguiu teletransportar fótons (partículas que formam a luz) a 16 quilômetros de distância em 2010.

 

Fontes: http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL967904-5603,00-CIENTISTAS+CONSEGUEM+FAZER+TELETRANSPORTE+DE+UM+ATOMO+INTEIRO.html | https://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2017/06/27/o-teletransporte-de-startrek-existe-sim-mas-nao-e-como-imaginamos.htm

 

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