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Uma em cada seis pessoas terá um AVC no mundo

A cada seis segundos, morre uma pessoa vítima de acidente vascular cerebral (AVC) no mundo. Uma em cada seis terá um AVC durante a vida. Trata-se da segunda doença que mais mata no planeta – são 6,15 milhões de óbitos ao ano –, atrás apenas da cardiopatia isquêmica (falta de irrigação sanguínea no coração), com 7,25 milhões de mortes anuais, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Apesar dos números assustadores, combate-se a estatística com prevenção – justamente o foco da Campanha Nacional de Combate ao AVC, que se encerra neste domingo (29), no Dia Mundial de Prevenção à doença.

Importância da prevenção

“Não há idade para um acidente vascular. Todavia, eles são mais comuns a partir dos 30 anos. A partir daí, é necessário um check up anual, com todos os exames laboratoriais: colesterol, triglicérides, entre outros. Quem já tem fatores de risco, como tabagismo ou diabetes, deve ter cuidado redobrado”, afirma o médico neurologista Fernando Pierini Costa, da Santa Casa de Santos.

Segundo ele, o perigo do AVC é o seu caráter aparentemente repentino. “Você não vai se sentindo mal, piorando, até que acontece o ápice. A doença já começa pelo pior, e, geralmente, as pessoas ao redor não conseguem identificar. Mesmo que seja alguém saudável a vida toda, as placas de gordura podem ter se acumulado ao longo dos anos. Por isso, o ideal é acompanhar com exames”.

Isquêmico x hemorrágico

Os acidentes vasculares podem ter duas origens: a primeira, por falta de irrigação no cérebro. A segunda, por ruptura de vasos e sangramento na região cerebral.

“No AVC isquêmico, que corresponde a 85% dos casos, o paciente teve algum tipo de obstrução nas artérias que levam oxigênio ao cérebro. Isso pode acontecer por dois motivos: placas de gordura entupindo a circulação, ou trombos, que são formados por coágulos que se desprendem da parede do coração em casos de arritmia e entram na corrente sanguínea”, explica o neurologista e presidente da Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares, Octavio Pontes Neto.

Já o AVC hemorrágico é mais grave. “Acontece quando os vasos rompem e o sangue se espalha na região cerebral, inundando e matando os neurônios”.

Se, no isquêmico, o tratamento é com remédios trombolíticos, que dissolvem os coágulos na veia, no hemorrágico, a contenção é feita pelo controle da pressão arterial, realizada em internação na UTI, e cirurgias.

Fatores de risco

Os causadores de AVC são problemas comuns e bastante populares. Quando juntos, intensificam o perigo.

“Pressão alta, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo, obesidade, diabetes, uso de pílulas anticoncepcionais e reposição hormonal. Se você tem uma dessas características, já deve ficar atento. Mas, se acumula várias delas, é um possível paciente de AVC”, alerta o médico neurologista.

Risco também para as crianças

Não são só adultos que correm risco de sofrer um acidente vascular cerebral. Adolescentes, crianças, recém-nascidos e bebês ainda em gestação também estão propensos à doença. “O número é bem menor. Mundialmente falando, a cada 100 mil habitantes, 120 podem ter AVC. Já dentre as crianças, são 15 a cada 100 mil. Ainda assim, é necessário informar”, diz a especialista em neurologia pediátrica Maria Valeriana Leme de Moura Ribeiro.

A docente da Unicamp realiza, desde 1998, pesquisa com crianças vítimas de AVC. Segundo ela, o isquêmico é mais comum em fetos e o hemorrágico, a partir dos 7 anos. “O isquêmico pode ocorrer entre a 32ª e a 36ª semanas de gestação. Isso acontece, principalmente, em mães hipertensas ou com problemas hematológicos, que comprometem o sistema vascular do bebê”.

Nos casos hemorrágicos, o alerta é para dores súbitas de cabeça. “Acontecem muito por aneurismas, aquelas ‘bolsinhas’ que se formam nos vasos e se tornam pontos frágeis. Num determinado momento de impacto, pode ser jogando bola ou até com um espirro ou tosse, ele se rompe. E ocorre o sangramento. Isso corresponde a 60%, 70% dos casos”.

Vida que segue

Para crianças que são tratadas, a médica informa que a vida deve seguir. “Dentre os nossos 400 pacientes, orientamos às famílias que realizem atividades da forma mais normal possível. Introduzindo na escola, quando percebemos condições, mesmo que com acompanhamento especial. Elas têm capacidade de aprender a ler, escrever… Não podem ficar em casa, superprotegidas e excluídas da sociedade”.

Intervenção rápida

Foi o amor da família que deu forças a Adela Vaamonde Villar para superar o AVC (Foto: Irandy Ribas)

“Em janeiro de 2006, minha mãe teve um AVC hemorrágico. Ela estava em casa, só com o meu pai e um sobrinho, que era criança. Eu voltava de viagem, corri para lá. Teve uma dor forte na nuca e chamamos a ambulância. Levou cerca de 40 minutos até os atendimentos. Identificada a hemorragia, encaminharam-na à Beneficência Portuguesa, para a UTI”, conta a filha de Adela Vaamonde Villar, Maria Elvira Vaamonde Villar Schor.

Hoje, aos 86 anos, Adela não tem sequelas. Continua ativa e feliz. Mas representa uma pequena parcela dos pacientes de AVC que conta com sorte e pronto atendimento. Dona Adela ficou 45 dias na UTI. Foram três cirurgias no cérebro e mais cinco meses de luta em casa. “No começo, nos deram 3% de chance de vida. Nos agarramos a essa porcentagem. Mesmo pequena, era uma possibilidade”.

Segundo a filha, quem não sabe do AVC de dona Adela, não perceberia pela aparência. “Devemos a saúde dela, principalmente, aos médicos Marcos Magario e José Carlos Paiva Paz,fundamentais na cura”.José Maria Villar Balado, o marido, à época com 72 anos,foi incansável. “Oque ele fez por ela dentro daquele hospital… Emocionou todo mundo. Emociona até hoje. Foi devoção.Passava dias e noites. Quantas vezes não ficou sem comer ou dormir”.

Fonte: http://www.atribuna.com.br/noticias/noticias-detalhe/cidades/uma-em-cada-seis-pessoas-tera-um-avc-no-mundo/?cHash=40516fe8886fa771325fc789fecc2040

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