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Marcha pela unidade da Espanha reúne milhares na Catalunha

BARCELONA — Milhares de pessoas se reuniram no centro de Barcelona neste domingo para um grande protesto pacífico a favor da unidade da Espanha, dois dias após a declaração de independência da Catalunha levar Madri a destituir o governo regional. Inquietos após a declaração unilateral de independência, os catalães contrários à secessão saem às ruas mostrando a divisão na região. Membros do governo central e partidos pró-união são esperados na marcha. Centenas de pessoas, muitas carregando bandeiras da Espanha já estavam no local marcado para o protesto antes mesmo da hora de início prevista, às 12h no horário local.

A quantidade de manifestantes na rua varia: 300 mil foram às ruas segundo a polícia local, 1 milhão de acordo com a delegação do governo espanhol e 1,1 milhão para os organizadores. Os organizadores da marcha dizem que o objetivo é defender a unidade do país e rejeitar o “ataque à História da democracia”. Há três semanas, o mesmo grupo organizou um protesto após o resultado do referendo de independência, que levou milhares de pessoas às ruas de Barcelona. Não há manifestações independentistas marcadas para este domingo.

O Parlamento catalão votou na sexta-feira a favor da independência, e a resposta de Madri foi tomar o controle do governo da região, marcando o clímax da pior crise política na Espanha em décadas. O presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, também dissolveu o Parlamento e convocou novas eleições para o dia 21 de dezembro. Considerada uma ofensa pelos separatistas, a intervenção de Madri é vista com certo alívio por cerca de metade dos 7,5 milhões de habitantes da Catalunha que, após anos eclipsados pelas mobilizações independentistas, aumentaram seus protestos.

— Na minha cidade, não posso sair com a bandeira espanhola — lamenta Marina Fernández, estudante de 19 anos de Girona, uma das cidades mais independentistas da região.

Pelo segundo dia consecutivo, a região espanhola proclamada como república, não reconhecida por ninguém, acordou sem saber quem a governa. Oficialmente, o governo dirigido por Carles Puigdemont foi destituído e suas funções foram assumidas pela vice-presidente do governo espanhol, Soraya Saénz de Santamaría. Cerca de 150 altos funcionários da Generalitat (governo catalão) foram demitidos e a cúpula dos Mossos d’Esquadra (polícia catalã) foi mudada.

Porém, os líderes independentistas não reconheceram a destituição. No jornal “El Punt-Avui”, o vice-presidente destituído da Catalunha, Oriol Junqueras, assegurou que o presidente do país é e seguirá sendo Carles Puigdemont.

“Não podemos reconhecer o golpe de Estado contra a Catalunha, nem nenhuma das decisões antidemocráticas que o Partido Popular (do presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy) com controle remoto de Madri”, afirmou Junqueras sobre a tomada do controle da Catalunha. “A presidente do Parlamento é e continuará sendo Carme Forcadell, ao menos que os cidadãos decidam o contrário em eleições livres.

 

Fonte: https://oglobo.globo.com/mundo/marcha-pela-unidade-da-espanha-reune-milhares-na-catalunha-22006755

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