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Nordeste entra de vez na estratégia das marcas

Empresas como Nestlé, Bauducco, Vivo, Claro, Trident e Estrela reforçam investimento nas regiões e customizam produtos e ofertas para consumidores locais
 

Maximilian Dörrbecker / Wikimedia Commons

O Elevador Lacerda, em Salvador, Bahia

A escolha pelas localidades, principalmente pelo Nordeste, se deve ao crescimento econômico da região brasileira

Rio de Janeiro – Com a disputa pelo espaço cada vez maior nos mercados do Sul e Sudeste, não é de hoje que as empresas redirecionam o olhar para outras regiões buscando um crescimento contínuo no Brasil. Aliado a isso está a expansão do potencial de consumo de regiões que antes eram negligenciadas pelas companhias, caso do Norte e do Nordeste. Marcas como Estrela, Vivo, Claro, Nestlé, Trident e Bauducco entenderam a importância de compreender a fundo estes consumidores para faturar ainda mais alto, tendo como desafio se inserir no contexto cultural das regiões.A escolha pelas localidades, principalmente pelo Nordeste, se deve ao crescimento econômico da região brasileira. Na Bahia, a capital Salvador ocupa a quinta posição do ranking nacional do Índice de Potencial de Consumo 2011, o IPC Maps. A cidade é o município nordestino com a mais alta colocação e um potencial de consumo em torno de R$ 38 bilhões, ficando atrás apenas das três grandes capitais do Sudeste – São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte – e das cidades de Brasília e Curitiba.

A Nescafé, da Nestlé, foi uma das primeiras a apostar em ações de marketing para os consumidores nordestinos. Já em 2006, a companhia suíça começou a desenhar um planejamento para a região, que naquele ano respondeu por 30% da demanda nacional, segundo dados da empresa, e cresceu 10% entre janeiro e setembro. O resultado também superou a média de crescimento nacional da Nestlé em 2006, que durante o ano chegou a 5% e motivou o investimento de R$ 100 milhões para a construção de um centro de distribuição em Feira de Santana, na Bahia.

Ampliando a distribuição local

Uma estratégia semelhante foi a adotada pela Estrela, que em novembro de 2011 construiu sua primeira fábrica no Nordeste, no município de Ribeirópolis, em Sergipe, que atenderá exclusivamente a região, além do Norte. A unidade custou R$ 8 milhões e tem um mix de 20 a 25 produtos voltados apenas para os consumidores locais com capacidade para fabricar 3,5 mil itens por dia.

“No Nordeste, onde muitas famílias estão transitando da classe D para a C, a maior demanda é por produtos de baixo valor agregado e de grande volume, como bonecas, veículos e brinquedos que atendam os consumidores desde o berço até o período pré-escolar, o que justifica a escolha dos produtos para compor o mix da região. Outro objetivo que se pretende alcançar com esta unidade fabril é reduzir o custo do transporte e da logística”, explica Aires Leal Fernandes, diretor da Estrela.

Outra empresa que também quer aumentar a sua distribuição no Nordeste é a Leader, que já conta com quatros unidades em Salvador. Atualmente, a rede de lojas de departamentos conta com 68 pontos de venda no Brasil e inaugurou mais um em 2011, na cidade baiana de Feira de Santana. A PepsiCo investiu em 2011 R$ 24 milhões em logística para atender o Nordeste. A companhia pretende dobrar a distribuição de produtos neste ano e inaugurar a terceira fábrica da empresa no Nordeste, também em Feira de Santana.

Outro setor que está de olho no Norte e no Nordeste é o de franquias. Após se expandir no Sudeste, a rede norte-americana de frozen yogurt Tutti Frutti inaugurará duas unidades na cidade de Recife, em Pernambuco. “Atualmente contamos com 21 unidades no Brasil e essa é a nossa primeira empreitada no mercado nordestino. Depois da nossa chegada ao país, em 2009, os anos de 2010 e 2011 foram de consolidação da empresa, o que nos incentivou a expandir para outras regiões. Em fevereiro abriremos duas franquias na cidade de Recife”, conta Mirian Jikal, diretora de marketing e Expansão da Tutti Frutti.

Produtos e promoções regionalizadas

Uma das formas encontradas pelas marcas para atender as demandas do público nordestino foi a adaptação dos produtos. A Nestlé, por exemplo, reduziu as embalagens de 200 gramas dos biscoitos Negresco e Bono para 140 gramas no mercado nordestino. As latas de Nescau de 400 gramas também ganharam uma versão em sachê, de 250 gramas. Em 2009 foi lançada a promoção “Juntar e Ganhar é só Começar”, exclusiva para o Nordeste e que premiou consumidores com um conjunto composto por uma bacia, um prato e uma caneca, além do sorteio de uma casa.

Fonte:  http://exame.abril.com.br/marketing/noticias/nordeste-entra-de-vez-na-estrategia-das-marcas

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